segunda-feira, 21 de setembro de 2015

No Nepal



Estou em Katmandu no Nepal. Irei escrevendo no blog quando o tempo e a logística o
permitirem

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Migrantes II


Em épocas recuadas as migrações sempre existiram. Muitas dessas migrações ficaram conhecidas na História pela designação de invasões. Os bárbaros invadiram o império romano; os árabes invadiram a península ibérica; os mongóis invadiram a Rússia; povos germânicos e celtas invadiram os territórios limítrofes para se expandirem. Eram invasores e procuravam conquistar territórios pela força. Mas no fundo eram migrações e na base estava a necessidade de conquistar um espaço vital para a tribo ou para o povo.

O envelhecimento da população, a economia acéfala, predadora e consumista, a falta de ideais, as contradições do projeto de construção, a submissão militar à América, a falta de liderança centralizada e a generosa proteção proporcionada pelo estado social enfraqueceram a  Europa. O espaço europeu ficou altamente vulnerável a ser invadido. Na verdade, a invasão da Europa já começou há muito, de uma forma lenta mas contínua. Os episódios de Malta e de Lampedusa já indiciavam que o surto era para continuar. Acredito que não estava na previsão dos dirigentes europeus esta repentina invasão pacífica e massiva do seu espaço. Por isso a desorientação que ela está a provocar.

Este fluxo de refugiados/migrantes/invasores é apenas uma primeira onda. Neste momento, os refugiados vêm sobretudo da Síria mas a próxima onda pode vir do Paquistão, do Afeganistão, do Egito ou de toda a África subsariana. Quem sabe, se até da própria Índia. E se os ucranianos se entusiasmarem com o exemplo? Essa onde pode tomar a forma de um tsunami imparável. As causas são várias e complexas, mas a principal será o desequilíbrio demográfico e económico entre espaços contíguos. E tudo fica facilitado pela globalização e pela facilidade de transporte. Entretanto, do outro lado do Atlântico, a América assiste e não se pronúncia. América que na sua avaliação da situação na Síria, ao rejeitar apoiar Bashar Al Assad, esteve, como causa mais próxima, na origem da tragédia humana que se vive nas fronteiras europeias. Foi uma visão míope, possivelmente motivada pelo receio da influência da Rússia junto do presidente sírio, que  provocou a escalada do conflito armado e precipitou os acontecimentos.

A questão dos refugiados, migrantes ou invasores - a designação para o caso pouco interessa - é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista. Não se trata de pessoas que procuram temporariamente fugir aos horrores da guerra e da fome. São pessoas que deixaram de ter condições de subsistência nos seus países de origem e por isso migram para onde vêm uma solução, um espaço vital. Como é que a Europa vai fazer a integração destes refugiados? Esta é a grande questão. Estas pessoas precisam de trabalho - escasso! - e de assistência  - cara! E têm uma cultura que, sob muitos aspetos, choca com as dos países de acolhimento. Não será um processo fácil, pois não se trata de pessoas dóceis mas de pessoas que rapidamente irão reivindicar direitos. O aspeto religioso não é menos importante. No conflito tribal que se começou a desenhar com o ataque ao Charlie Hebdo, as chances favorecem a tribo invasora, pois os seus elementos reproduzem-se mais, têm menos a perder e têm a crença religiosa e a fé do lado deles.  Os europeus tradicionais - entenda-se, de formatação cristã -, vão jogar tudo na assimilação dos emigrantes/invasores ao modelo ocidental -  modelo político e económico, pois não têm outro. Existem fortes motivos para duvidar que isto possa  ser feito de forma pacífica.

Por outro lado, se a questão for bem gerida, estes refugiados podem ser uma grande oportunidade para a Europa. Esta invasão pode funcionar como uma espécie de transfusão de sangue num corpo moribundo. Tenho a impressão que a Alemanha já pressentiu isso. Existe, desde o tempo do Império Otomano, uma inclinação dos alemães por estes povos de raiz ariana.  Se tivesse vingado o projeto do Kaiser Guilherme II de construir uma via férrea entre Berlim e Bagdad, tudo estaria facilitado neste momento para os refugiados.

Na minha opinião, Portugal deveria tomar uma posição proativa neste assunto pois  precisa destes emigrantes como pão para a boca. Eles poderiam servir para repovoar o nosso interior desertificado e para voltar a ocupar os terrenos agrícolas e as casas vazias e semi abandonadas das nossas zonas rurais. Não acredito que os nossos governantes entretidos com a pequena política tenham visão estratégica para considerar, dessa forma, a integração desta gente. E a oportunidade vai perder-se.

Na Europa, terão de ser os países mais ricos a suportar o principal esforço de integração. Vai haver forte divisão interna - vão extremar-se posições entre conservadores e  progressistas - e poderão ter de ser tomadas fortes medidas restritivas à circulação de pessoas, opostas ao espírito de tolerância que norteou a construção europeia. Os países periféricos, como Portugal,  vão passar a receber menos ajuda pois estes deslocados vão absorver uma parte dela. e os orçamentos não são elásticos. A prazo, o próprio serviço social estará ameaçado e as nossas reformas também. Em suma, a já fraca coesão europeia vai ser posta à prova. E pode acontecer que não resista!

Nada vai ser com dantes,  O futuro será muito diferente daquilo que tínhamos imaginado. E as surpresas vão continuar...


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Migrantes


Em 1845 e nos anos imediatamente a seguir,  viveu-se na Irlanda uma situação dramática que ficou conhecida na História com a Grande Fome. Ela foi o resultado de uma economia rural  precária baseada na posse da terra pelos senhorios ingleses, pelo  excesso populacional, pelo mau governo, e sobretudo pela peste da batata que atingiu o principal sustento dos irlandeses.

Nos anos da Grande Fome, milhões de irlandeses emigraram para a América, para o Canadá para a Austrália.   E fizeram-no em condições muito precárias.  Dos 100 000 irlandeses que viajaram para o Canadá em 1847, estima-se em um quinto os que morreram de fome e desnutrição durante a travessia. Outras fontes referem que atingir uma mortalidade de 30% em alguns dos navios que transportavam estes migrantes era coisa comum.

Para os irlandeses da época da Grande Fome, emigrar era a alternativa a uma morte certa, e, por isso, eles estavam preparados para correr todos os riscos. Como consequência desta emigração massiva, a Irlanda perdeu metade da sua população . Mas as cidades americanas e canadianas cresceram exponencialmente à custa destes emigrantes. De facto, eles ajudaram a fazer a prosperidade da América.

Aquilo que está a acontecer na Europa com os migrantes da África e do Médio Oriente - algo previsível desde há muito! - é um fenómeno de grande impacto económico e social e terá consequências muito importantes para o futuro do Velho Continente.  A onda de migrantes não vai parar, antes pelo contrário vai aumentar. As pessoas que migram não têm condições de subsistência nos seus territórios de origem. Fogem à morte e arriscam tudo para chegar ao destino que imaginam salvador. Nada nem ninguém os vai deter.

A história da Civilização Humana é uma história de migrações. Ao longo dos últimos dez mil anos, elas moldaram a Europa que hoje conhecemos. Com as facilidade de transporte, as migrações ocorrem agora com maior rapidez. Para a Europa envelhecida, acomodada e gasta chegou a hora da verdade. Estes emigrantes são simultaneamente necessários - pela força de trabalho que representam - e incómodos - por ameaçarem o sistema de privilégios garantidos pelo estado social, e por serem vistos como uma ameaça à velha ordem cristã do Ocidente.

Vamos ter de conviver com esta realidade e com as transformações que ela vai trazer consigo. A Europa vai mudar, e Portugal mudará também!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As Verdades


Um texto de 2012 reeditado

O cristianismo, que moldou a Civilização Ocidental, é um compromisso entre a mitologia greco-romana e o judaísmo. É como se fosse a Odisseia enxertada na Bíblia, a tentativa de conciliar a forma clara - base do pensamento grego e o conteúdo moralista - base do pensamento judaico. Para mim é claro que um judeu nunca poderia ter escrito a Odisseia nem inventado a geometria. O tempo judeu não caberia nunca nos dez anos que Ulisses viajou de Tróia para Ítaca. E, avessos às formas e às imagens, os judeus nunca foram capazes de retratar o deus de Abraão e de Moisés. Jeová não tem rosto. Ele é o oposto da forma elegante de Afrodite ou da força insensual de Atena.

Costuma-se dizer: para cada um sua verdade. O que é a Verdade e onde está a Verdade?  Todos buscamos e todos desejamos encontrá-la, mas primeiro temos que defini-la. Pesquisando a etimologia da palavra talvez encontremos o fio da meada para conduzir a nossa reflexão. Cada civilização parece ter um conceito diferente de verdade. Vamos olhar para alguns deles, e talvez encontremos algumas respostas para as nossas dúvidas.

Na Grécia antiga, a verdade é aletheia ("a" indica negação e "léthe" significa esquecimento), que é aquilo que se mostra e se revela, na sua forma, aos nossos olhos. Já para os judeus a verdade é emunah  (palavra de onde deriva amen). É a virtude, o que há de vir e que há de cumprir-se. Para os romanos a verdade é veritas que é um conceito quase jurídico. Verdade é o que relata ou traduz fielmente o que aconteceu. Na fórmula "juro dizer a verdade e só a verdade", é o conceito veritas que estamos a utilizar.

Temos, pois, uma verdade para os Gregos (aletheia), as coisas como são e sempre serão, tais como se manifestam no momento presente ao nosso espírito; uma verdade para os Romanos (veritas) que diz respeito aos fatos que foram ocorridos e relatados; e uma verdade para os Hebreus (emunah) relativa às coisas que serão (e que foram prometidas). Em síntese, para os gregos a Verdade vê-se; para os romanos diz-se; para os judeus crê-se.

Mas para nós, que transportamos a herança genética e cultural daqueles povos,  qual é a verdade? A verdade geométrica, a verdade jurídica ou a verdade moral ? Quem são os guias que orientam a nossa vida, os oráculos gregos, os profetas bíblicos, ou as sibilas romanas?

No mundo de símbolos e de sinais que, massivamente, nos envolvem a verdade aparece camuflada. Qual é, por exemplo, a Verdade que está por detrás de um anúncio da Coca-Cola, uma das mensagens mais insinuantes dos nossos dias? Ou qual a verdade por detrás dos discursos dos políticos, dos governantes, dos economistas?  E qual  verdade que os meios de comunicação nos mostram e nos apontam?

Temos, antes de mais, de saber descodificar os sinais, que se tornaram  ilegíveis na complexidade das novas formas de comunicar. Temos de recorrer às virtudes da semiótica, da hermenêutica e da interpretação que estão na base de novos oráculos, e de novas profecias. A verdade possível foi, no passado, reservada aos iluminados, aos escolhidos e às elites. Julgámos que as novas literacias viriam, finalmente, revelá-la. Mas ela parece teimar em camuflar-se.

A ciência foi a nossa esperança de vulgarizar a verdade, mas à medida que exploramos o átomo encontramos novas revelações, e as certezas deixam de o ser para serem incertezas. Ficamos confrontados com os limites do célebre princípio de Heisenberg que diz mais ou menos isto: a busca da realidade mais ínfima torna-se incerta pois a observação interfere com a coisa observada, e altera a própria realidade.

Estamos pois condenados a deambular neste labirinto, onde a verdade se parece esvair como a água por entre os dedos da mão. E a angústia persiste...



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Férias

Em agosto o Transição vai de férias.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A Alimentação

Com o acelerado crescimento populacional, que prevê mais 2,5 mil milhões de pessoas em 2050 e mais 3,5 mil milhões em 2100, o mundo vai precisar, num curto horizonte temporal, de produzir mais 70% dos alimentos atualmente produzidos. Como isso vai ser conseguido é uma grande incógnita. O alimento é uma necessidade básica de qualquer ser vivo, e por isso a questão não pode ser ignorada.

A lança de caça constituiu para aos homens primitivos uma enorme evolução e aportou uma rica dieta proteica às tribos nómadas de caçadores. No entanto, a grande revolução alimentar ocorreu há cerca de dez mil anos com a domesticação de animais e plantas e com o início do cultivo das terras. Primeiro junto aos cursos de água, depois em zonas irrigadas por elaboradas técnicas de canalização e aproveitamento da água. Na Idade Média, a invenção da charrua de ferro permitiu arrotear e conquistar para a exploração agrícola vastos terrenos antes ocupados por florestas. Foi o sucesso desta agricultura e os excedentes assim criados que esteve na origem da Europa das catedrais, da explosão artística da renascença e do avanço científico e tecnológico da Idade Moderna. Este modelo de agricultura foi exportado para o novo mundo, e juntamente com o trabalho escravo, originou a monocultura e permitiu a produção de alimentos em quantidades nunca antes imaginadas.

Como consequência do crescimento populacional e das lutas anti-escravatura, o modelo ameaçava esgotar-se. Na viragem do século XVIII para o século XIX, Thomas Malthus, um homem esclarecido, alertou para a sua insustentabilidade, dizendo que a população iria crescer mais rapidamente que a produção de alimentos. Mas, logo a seguir, o aproveitamento da energia fóssil iria contrariar Malthus, provocar uma inesperada revolução na agricultura e trazer uma nova prosperidade à espécie humana. A agricultura mecanizou-se, libertou os campos do trabalho escravo, ao mesmo tempo que novos fertilizantes revigoravam a terra desgastada e eficientes pesticidas combatiam as pragas e faziam as mondas. Somado a tudo isto, a ciência - com a genética e a descoberta da cura das doenças -,e a tecnologia- com a cultura intensiva e o aperfeiçoamento das alfaias -, haveriam de operar um milagre - a revolução verde - que criou grandes excedentes alimentares e foi responsável pela Idade de Ouro em que atualmente nos encontramos.

Com a revolução verde, o homem libertou-se da árdua tarefa de trabalhar a terra. Em algumas décadas o sector primário, antes o mais representativo, passou a ocupar uma percentagem de apenas um dígito...Em apenas dois séculos a população mundial cresceu seis vezes, as cidades ocuparam o lugar dos campos, enormes massas populacionais ascenderam aos serviços, nasceu a consumista classe média urbana como motor da economia. Este sucesso teve - e continua a ter! -custos ecológicos e ambientais enormes, que podem ser traduzidos num cortejo de conceitos que começam a entrar no nosso discurso diário: manipulação genética, perda de biodiversidade, criação de animais em cativeiro, utilização de hormonas e antibióticos de crescimento, solos empobrecidos e contaminados, escassez de água, alterações climáticas...

É urgente uma nova revolução alimentar. Selina Juul, uma especialista dinamarquesa em alimentação, fundadora do movimento Stop Wasting Food, diz que se não houvesse desperdícios, possivelmente os alimentos produzidos atualmente seriam suficientes para alimentar a população do futuro. John Vidal, jornalista do Guardian, escreveu que urge encontrar outras soluções para alimentar mais de 2.5 mil milhões de pessoas dentro de quatro décadas - as populações da China e da Índia somadas. Acrescenta ainda, que para enfrentar a escassez de água e de terra arável precisamos de uma  geração de novos agricultores, com novas ideias e cultivando novos produtos. Fala de algas, de carne artificial, de novos cereais e até de insectos. Outros, advogam que a solução virá do mar - estufas marítimas, dessalinização... -, enquanto outros sonham em recuperar vastas extensões de deserto, citando a propósito ambiciosos projetos como o Shara Forest Projet, ou a Great Green Wall of Africa.

Na era do consumidor alterou-se profundamente a nossa dieta alimentar. Vivemos na época dos alimentos processados, do excesso de açúcar, dos aditivos, da carne feita à pressa, do exagero dos produtos lácteos. Consumimos mais alimentos do que aqueles que precisamos para viver. As novas gerações são mais altas e mais atléticas, mas também mais obesas. É muito difícil contrariar este estado de coisas, pois a indústria alimentar é um dos pilares da nossa economia. Argumenta-se, por exemplo, com a importância das bebidas refrigerantes para a economia e para o emprego e quase não se fala dos danos que elas causam à saúde.

Para fugir ao ditado popular, que diz que pela boca morre o peixe, um dia teremos de mudar os nossos hábitos alimentares. E quem sabe se, para tal, não teremos primeiro de mudar de economia.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ferramentas

Já estamos muito longe da idade da pedra lascada e do machado de sílex. Mas foi com essas ferramentas rudimentares que se iniciou a caminhada do homo sapiens e se construiu aquilo que designamos por Civilização Humana. O progresso civilizacional foi fruto da inteligência e das ferramentas. As mãos e o cérebro fizeram a Civilização.

Neste longo caminho, assistimos à extraordinária capacidade inventiva do ser humano para criar novas ferramentas, ampliar com elas as funções sensoriais, realizar tarefas e explorar os recursos da natureza. Primeiro, com o carro de bois e com o arado, o homem aproveitou a seu favor o trabalho animal; depois, com as velas, aproveitou a força do vento para atravessar os oceanos; misturou o clorato, o carvão e o enxofre para fazer a pólvora e criou as bombardas para fazer a guerra. Fez a máquina a vapor e o motor de explosão para extrair o trabalho que está nas entranhas do carvão e do petróleo. Com o reator nuclear foi buscar a energia do átomo e adquiriu a capacidade de destruir tudo aquilo que antes tinha construído.

Com a permanente invenção de novas ferramentas o homem espalhou-se, subjugou todas as outras espécies e dominou a terra. Cada nova ferramenta representa um salto e uma ameaça. Um salto, pois permite adquirir novas capacidades, explorar novos recursos, alimentar mais pessoas; uma ameaça, pois acelera o esgotamento desses recursos e contribui para aumentar a poluição e acelerar os danos causados à qualidade do ambiente, mormente da água que bebe e do ar que respira.

Apesar disso, uma vez aqui chegado, o homem tomou consciência de que não pode parar, pois a economia pede-lhe emprego e crescimento. Tornou-se lugar comum a crença de que a sobrevivência da Humanidade passa pelos caminhos do progresso e da inovação. Com a inovação mecânica e a inovação elétrica libertou a mulher das tarefas do lar. E já dá para perceber que o homem do futuro terá ao seu dispor novas ferramentas mais complexas e sofisticadas. Falo das ferramentas digitais, resultado da miniaturização, da informática e das telecomunicações, que começam a invadir o nosso dia a dia.

As ferramentas digitais são ferramentas inteligentes munidas de sensores que são capazes de tomar decisões. No sector da saúde vão permitir uma vida mais longa; no sector da energia vão aumentar a eficiência na captação e no consumo dos recursos energéticos tanto dos renováveis como dos não renováveis; no sector alimentar - sobretudo na produção alimentar - vão otimizar a utilização de animais e plantas domesticados e geneticamente aperfeiçoados, transformando-os em meros vetores alimentares humanos, que servirão para monitorizar e tornar mais eficiente o consumo de água potável, tanto para consumo direto humano, como para uso na agricultura e pecuária.

Com essas novas ferramentas, mais sofisticadas e mais complexas, o homem passará a depender cada vez mais delas. Aos poucos vai desaprender a viver de forma natural, tal como a natureza o preparou ao longo de milhões de anos. O aumento populacional e o agravamento das desigualdades sociais - a inovação tende a favorecer em primeiro lugar as elites - vão ser duas das consequências com que as sociedades do futuro vão ter de se confrontar.

Não é fácil prever quais as consequências desta sofisticada inovação para a espécie humana e para a Civilização. Mas acredito que ela não nos vai levar de volta à quietude do Paraíso Terrestre!