A cimeira
Foi organizada pela Associação dos Territórios do Vale do Côa e teve lugar em Vilar Formoso, no passado dia 27 de junho. O tema - algo ambicioso - era a
Identidade dos Territórios do Interior.
Convidado como um dos oradores da conferência, falei no segundo painel da manhã onde participou o Dr José Manuel Felix Ribeiro, um prestigiado e conhecido economista, autor de um livro recentemente publicado:
Portugal a Economia de uma Nação Rebelde. Na minha apresentação alertei para o grave problema da desertificação do Interior e do envelhecimento da população, e aconselhei que voltar a povoar esta região deveria ser a grande prioridade para perspetivar o futuro. Insisti na
cultura como sendo o produto mais indicado para Almeida, e abordei a questão da terra, opinando que a agricultura poderá voltar a desempenhar um importante papel, mas que para obter resultados se deverá enfrentar e resolver a delicada questão do emparcelamento rural. Com as escopetas apontadas à caça grossa dos fundos europeus suspeito que, para os presentes, a mensagem não valeu a pólvora do cartucho e não terá ficado registada. Mas tive a grata surpresa de, no intervalo do café, que se seguiu, assinalar o interesse pelos meus pontos de vista por parte de alguns jovens presentes na assistência.
Acho que se passou ao lado do tema, pois os territórios - como bem salientou o antropólogo que interveio na parte da tarde - só fazem sentido, só têm
identidade, com a sua população, com a sua história e com as tradições e as lendas que lhe estão associadas. Na cimeira falou-se de muita coisa e pouco - quase nada - do que resta da população dos territórios do Interior. Na minha opinião, como atrás referi, esta conferência centrou-se sobretudo nos fundos da UE que virão dos novos quadros de apoio. Esta pareceu-me ser a preocupação da grande maioria dos presentes: autarcas, consultores, dirigentes de associações/entidades ligadas à região e ao sector do turismo. No final, com a longa, inflamada e desenquadrada intervenção de Álvaro Amaro, o Presidente da Câmara da Guarda, parecia que estávamos num comício.
A encerrar a sessão, a Dra. Ana Abrunhosa a presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro que é quem regulamenta a corrida aos
fundos, falou claro sobre as regras do jogo, e, na minha opinião desempenhou bem o seu papel.
Apesar de tudo, a cimeira foi uma boa iniciativa que mostrou o dinamismo da Dra Dulcineia Moura, Coordenadora da Associação dos Territórios do Côa, e que está, assim, de parabéns. Para repetir.
O Nepso e Rato de Biblioteca
O que se passou no sábado, dia 28 de junho, em Almeida, de tão intenso e emocionante que foi, não é fácil de traduzir. Centenas de professores e alunos vindos de norte a sul de Portugal deslocaram-se à Vila-Fortaleza para o encontro de encerramento das atividades do Nepso e do Rato de Biblioteca referentes ao ano escolar 2013/2014. Os alunos de cerca de duas dezenas de Escolas apresentaram os seus trabalhos num ambiente de festa. Vimos crianças, do pré-escolar e 1º ciclo, vindas de Vila Real e de Estorãos falarem de lixo, de resíduos e de reciclagem. Vimos alunos de Ovar apresentarem de forma surpreendente as recomendações para higiene oral e os de Vila Nova de Cerveira abordarem o tema da poupança. Os alunos do Agrupamento de Escolas de Almeida, servindo-se de uma linda melodia, entoada de forma cristalina por uma aluna, contaram a caminhada do Rio Côa desde a serra das Mesas até ao Douro. Vimos o grupo de Braga falar-nos de
bullying e o grupo de Matosinhos abordar a questão - tão importante e tão decisiva para o futuro da Humanidade - da manipulação da fertilidade. Não quero - nem posso - deixar de referir os grupos de Arcozelo, da Lousã, de Viseu, de Santa Cruz da Trapa, das Caldas das Taipas, de Aveiras de Cima, de A-Ver-o-Mar, de Portimão, de Vila Real de Santo António, do Bairro Padre Cruz de Lisboa que nos apresentaram os seus trabalhos, com brilho, com criatividade, com entusiasmo, com alegria e com a satisfação do dever cumprido.
Tudo isto, e muito mais, foi o coroar de uma ano de trabalho de dezenas de professores e quase mil alunos que aderiram aos programas da Fundação Vox Populi e embarcaram na aventura da investigação dos temas que eles próprios escolheram.
A família, os amigos.
Em Almeida, eu e a Paula, a minha mulher, tivemos a alegria de partilhar estes momentos com a São e o João, com o Américo e com a Paula Pato, com o Rau, com os meus filhos Pedro e Luísa. E até o Whisky, o nosso cão, participou. Vivemos momentos únicos que justificam todo o esforço que dedicamos, de forma voluntariosa e desinteressada, a estes projetos.
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